Microdissecção testicular permite, por meio de microcirurgia, retirar espermatozóides sadios nos casos de esterilidade masculina.
Mais um avanço da medicina na área de infertilidade pode ser a salvação para muitos homens considerados estéreis: eles já possuem chances satisfatórias de se tornarem pais. É que uma nova técnica que emprega microcirurgia, chamada microdissecção testicular, torna possível localizar e extrair espermatozóides sadios em homens azoospérmicos - que não possuem espermatozóides na ejaculação.
As taxas de sucesso na microdissecção são 30% superiores às técnicas convencionais, como a biópsia de testículo, para extração de espermatozóides. A técnica é bastante sofisticada, pois com o auxílio do microscópio cirúrgico (equipamento que aumenta o tamanho das estruturas em até 40 vezes) procura-se áreas que estejam produzindo espermatozóides dentro do testículo. Estas áreas são impossíveis de serem identificadas a olho nu e os outros métodos existentes para a extração de espermatozóides fazem a procura às cegas, usando punção por agulha ou biópsia convencional, sem tantas chances de serem bem sucedidas.
De acordo com o doutor Sandro Esteves, responsável pelo setor de Reprodução Humana e Infertilidade Masculina da Sociedade Brasileira de Urologia e diretor da Androfert - Centro de Referência em Infertilidade Masculina, essa técnica pode ser a chance de homens que eram considerados estéreis conseguirem engravidar suas esposas. "Como a produção de espermatozóides nestes homens, quando existe, é muito reduzida, ele não tem chances reais de engravidar a sua parceira com a ejaculação. Esta produção reduzida de espermatozóides é confinada ao testículo - são como "ilhas" de produção isoladas - , sendo necessário extrair os poucos
espermatozóides sadios", afirma.
Esteves ainda complementa que as chances de um homem azoospérmico conseguir engravidar sua esposa, após a extração dos espermatozóides via microdissecção, são muito semelhantes a de um homem não azoospérmico que possui espermatozóides na ejaculação. Entretanto, como os espermatozóides são extraídos diretamente do testículo, não tem potencial de chegar naturalmente até o óvulo, sendo assim necessário utilizar a fertilização in vitro empregando a técnica da injeção
intracitoplasmática do espermatozóide no óvulo (conhecida mundialmente pela sigla " ICSI"). "A microdissecção possibilita que o espermatozóide que é sadio mas tem problemas em fecundar o óvulo naturalmente, receba uma "ajudinha" da medicina para poder chegar ao óvulo e cumprir o seu ciclo, gerando a gravidez", explica.
A Androfert é referência em tratamentos empregando microdissecção. Centro de Referência em Infertilidade Masculina no Brasil, já acumula experiência de mais de 50 tratamentos envolvendo a técnica. Em cerca de 60% dos casos é possível encontrar espermatozóides sadios no testículo e com estes realizar a fertilização in vitro. A taxa de gestação com a técnica é de 40%, considerada excelente.
Microdissecção testicular
A microdissecção testicular é um procedimento recente que tem por objetivo a localização, com o auxílio do microscópio cirúrgico, de túbulos seminíferos dilatados que apresentam espermatogênese ativa, aumentando-se assim a chance de se encontrar espermatozóides nos homens com azoospermia não-obstrutiva (ANO).
A técnica mostra-se eficiente, a medida em que aumenta as chances de se encontrar espermatozóides viáveis para a utilização nos programas de fertilização in vitro com micromanipulaçao de gametas (ICSI). O procedimento é simples e realizado de forma ambulatorial, ou seja, não exige a internação do paciente. Nesta técnica, a bolsa testicular é aberta, o testículo é exposto e com o auxílio do microscópio, identifica-se uma área transversa ao eixo maior do órgão onde haja poucos vasos.
Prossegue-se com a cirurgia fazendo uma secção superficial no testículo. Desta forma, os túbulos seminíferos ficam mais visíveis e, examinados cuidadosamente com o microscópio, permitem detectar locais onde os túbulos estão mais engurgitados, local de maior chance para o encontro de espermatozóides. Havendo espermatozóides maduros ou espermátides, sobretudo em alongamento, estes poderão ser injetados nos oócitos da companheira.
Infertilidade
Para que um homem seja considerado fértil é necessário, em geral, que tenha uma formação de espermatozóides (espermatogênese) normal, que assegure o transporte de um número suficiente destes para fertilizar o óvulo. Quando esses espermatozóides não chegam até o óvulo de forma natural, o homem pode ter problemas de fertilidade.
As causas de infertilidade masculina podem ser por problemas na produção e maturação ou na motilidade dos espermatozóides, nas dificuldades de ejaculação ou na obstrução dos sistemas (canais) que conduzem os espermatozóides. Neste último caso, chamado de azoospermia obstrutiva, o espermatozóide é produzido, mas não consegue chegar para fecundar o óvulo. Na azoospermia não-obstrutiva, o espermatozóide não chega a ser produzido ou é produzido de forma muito reduzida.
Sobre a Androfert
A Androfert - Centro de Referência em Infertilidade Masculina, é um dos Centros de Medicina Reprodutiva mais avançados da América Latina, tendo como diferencial uma completa abordagem dos problemas masculinos que impedem ou dificultam a gravidez. Possui uma equipe especializada e multidisciplinar em constante aprimoramento, coordenada pelo doutor Sandro Esteves, formado em Medicina na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Em 1995, ele recebeu uma bolsa de estudos da Associação Americana de Urologia, indo especializar-se nos EUA, onde ingressou no programa de Fellowship em Infertilidade Masculina e Andrologia na Fundação Cleveland Clinic.
O Dr. Sandro Esteves é urologista certificado e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia, bem como de sociedades nacionais e internacionais, entre elas a Sociedade Americana para Reprodução Masculina e Urologia (SMRU), Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), entre outras. O Dr. Esteves é Mestre pela UNICAMP e Doutor pela UNIFESP (universidade Federal de São Paulo). Possui mais de 40 estudos publicados em revistas especializadas nacionais e internacionais. É o atual responsável pelo Setor
de Infertilidade Masculina e Reprodução Humana da Sociedade Brasileira de Urologia.
Fonte: http://guiadobebe.uol.com.br/novidades/homens_estereis.htm