Classificada como doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a infertilidade aflige 10% dos casais em todo o mundo. No Brasil, um em cada seis casais apresenta problemas de fertilidade. Mas, ao contrário do que se pensa, a mulher não é a única responsável pela dificuldade de concepção. Nos casos de infertilidade, 40% são motivados por problemas na mulher, 40% por problemas no homem, 10% por problemas em ambos e 10% por causas indefinidas.
Segundo dr. Sandro Esteves – Andrologista e Diretor do Androfert (Centro de Referência em Reprodução Masculina em Campinas) - o uso de medicamentos para tratar infertilidade masculina funciona em apenas três situações específicas: 1) Problemas na Ejaculação – os medicamentos alfa-simpatomiméticos facilitam a saída do sêmen pelo canal da urina e podem ser ingeridos. Indicados nos casos de ejaculação retrógrada – quando o sêmen volta para a bexiga ao invés de sair pela urina - ou na ausência total de ejaculação, funcionam em 30% dos casos. A causa mais comum é o diabetes.2) Infecções nos Órgãos Genitais - geralmente são ocasionadas por bactérias causadoras das doenças sexualmente transmissíveis como clamídia, micoplasma, ureaplasma e neisseria. Muitas vezes, as infecções não apresentam nenhum sintoma aparente, e se alojam na uretra (canal da urina), próstata, epidídimo (glândula situada ao redor do testículo que armazena os espermatozóides), e nas vesículas seminais (glândulas que produzem grande parte do líquido da ejaculação, localizada próxima à próstata). Somente com exames específicos realizados juntos com o espermograma são detectadas. Nestes casos, o uso de antibióticos melhora a fertilidade do casal e as chances de gravidez. A mulher também participa do tratamento. 3) Problemas Hormonais – somente em três casos o tratamento a base de medicamentos é eficaz: Prolactina – apenas 1% dos homens possui taxas elevadas de prolactina (hormônio da lactação associado à libido e a fertilidade masculina) que também causa diminuição da produção de espermatozóides. O tratamento com medicamentos equilibra a produção de prolactina; Hipo ou Hipertireoidismo - alteração dos hormônios da tireóide, responsáveis pela diminuição da fertilidade masculina - o tratamento é realizado com medicamentos que normalizam o funcionamento da tireóide; Hipogonadismo hipogonadotrófico - a falta dos hormônios da hipófise - glândula localizada no cérebro que produz hormônios que estimulam o funcionamento dos testículos (gonadotrofinas) – afeta a fertilidade do homem. A atrofia testicular geralmente é causada por fatores externos como radioterapia, tumores da hipófise e uso abusivo de esteróides anabolizantes. Nesse caso, o tratamento com medicamentos reestabelece a virilidade masculina. Todo tratamento medicamentoso para infertilidade masculina precisa de avaliação e acompanhamento médico em cada etapa. “O tratamento nunca deve durar menos de três meses. Esse é o tempo médio para haver produção de uma nova safra de espermatozoides no interior dos testículos”, conclui dr. Esteves. Pesquisas demonstram que mudanças nos hábitos de vida melhoram a fertilidade. A lista inclui parar de fumar, manter o peso adequado, tomar vitaminas e antioxidantes. Para a saúde reprodutiva do homem as vitaminas B, C, E, Complexo B, ácido fólico, zinco e selênio são as mais recomendáveis. * Perfil dr. Sandro Esteves (CRM 69977) - Formado em Medicina na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), fez Mestrado e Doutorado na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Fellowship em Infertilidade Masculina e Andrologia pela Fundação Cleveland Clinic (E.U.A). Membro da Sociedade Brasileira de Urologia, Sociedade Americana para Reprodução Masculina e Urologia (SMRU), Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Diretor do Androfert (Centro de Referência em Fertilidade Masculina). Possui mais de 60 estudos publicados em revistas especializadas nacionais e internacionais Sobre o Programa Acesso - Criado em 2006 pela Vidalink, empresa líder do mercado de Gestão de Benefícios de Medicamentos, o Acesso conta com o apoio de 99 clínicas em 34 cidades brasileiras. Para fazer parte do Programa, o primeiro passo é fazer o cadastro no site ou ligar no 0800. Neles, encontram-se todas as informações e orientações necessárias para o envio da documentação. Após a avaliação da capacidade econômica do casal, a Vidalink tem até dez dias úteis para dar um retorno ao paciente sobre sua aprovação no programa. No caso da inclusão, o paciente é encaminhado para o Programa Acesso e para a clínica, que inicia o tratamento com desconto de até 50% nos medicamentos para infertilidade e a possibilidade de abatimento nas despesas de atendimento médico. O Androfert – Centro de Referência em Fertilidade Masculina – está credenciado no Programa Acesso para atender a população da região de Campinas. Mais informações no site www.queroterumfilho.com.br ou pelo telefone 0800 11 33 21.
Fonte: Esteves, S. Professor Responde. Sociedade Brasileira de Urologia.BODAU.p.58, Julho/Agosto,2008.